quarta-feira, 2 de abril de 2014

NAS NOITES DA FAZENDA BREJINHO

PELAS MÃOS DO ARTISTA


Outrora fiel companheira dos dias longos e das noites frias. Disputada foste por moços e velhos que, com seus dedos ávidos, te apalpavam e deslizavam suas mãos em teu corpo inteirinho. 
Nada reclamavas, nada dizias, eras objeto de desejo, de disputa e de alegria.
Gerações e gerações de ti desfrutaram, saciaram suas fomes de prazer, de realização e de glória. Tantos choraram suas derrotas em tua presença e comemoraram a teu lado suas vitórias.
Mas o tempo, ingrato e cheio de revezes, passou rapidamente, e muitos se foram e tantos outros envelheceram. Também tu, decrépita, alquebrada, abandonada e triste quedaste solitária nas cinzas e sombra do passado glorioso.
Lá ficaste por anos e mais anos, esquecida por todos que antes lhe disputavam.
Até que num belo dia, o toque milagroso da mão do artista, com carinho, cura-te as feridas, tampona as crateras que te deformaram , esfolia-te o corpo todo e  banha-te com os mais tênues e poderosos cremes.
Bela e poderosa como dantes, tu ressurges das cinzas, velha dama, incomparável dama, antigo tabuleiro de damas que era de meu pai e que animava e motivava  as noites na Fazenda Brejinho, em Malhada dos Bois – Sergipe.

Antonia Roza

Junho de 2013


Nota do autor:
Foto de Álvaro Lemos, grande fotógrafo português que residia  na cidade de Propriá-Sergipe,  e que ofereceu o tabuleiro de damas, vindo de Portugal, ao amigo  Manoel Gomes de Aguiar. 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

MARIA ANITA DO NASCIMENTO AGUIAR

 Em 21 de julho de 1907, nascia no sítio Recreio, município de Laranjeiras, no Estado de Sergipe, Maria Anita Alves do Nascimento, filha de João Romualdo do Nascimento e Hermínia Alves do Nascimento. Eram seus avós paternos Romualdo José do Nascimento e Maria Júlia do Nascimento e avós maternos Eugênia Maria do Amor Divino e Francisco Valentim da Silva, este português, da cidade do Porto.
Anita, filha caçula, a décima primeira filha do casal, cresceu com muito mimo dos pais e dos irmãos, dividindo o tempo entre o Sítio Recreio e a casa que seus pais tinham na cidade de Laranjeiras. Quando estava no sitio, além das brincadeiras habituais de toda criança, aprendeu a nadar e a pescar e se tornou exímia mergulhadora.
Seus estudos foram na famosa Escola Laranjeirense, da Professora Zizinha Guimarães, escola que além das disciplinas básicas, ensinava francês, esperanto, música, dança e teatro.
 Paralelamente e como era costume na época, ela aprendeu bordado, corte e costura, e outros trabalhos manuais. Era, portanto, muito prendada.
Apesar de morar no interior,Anita acompanhava a alta moda do sul do país, pois um de seus irmãos, Hermínio Alves do Nascimento (BINA), que era do Exército, no Rio de Janeiro, comprava os lançamentos da moda e imediatamente mandava para ela.                                                      Moça culta e bonita participava dos eventos da cidade, sendo habitualmente convidada para ser porta-estandarte nos desfiles cívicos e nas procissões. Também gostava muito de dançar e dançava muito bem. Quando havia baile na cidade ela falava com os pais que permitiam que ela fosse, mas somente se acompanhada de seu irmão Oscar Nascimento que de certa forma decidia com quem ela poderia dançar. 
Vários rapazes desejaram casar com ela e, aos 21 anos, recebe proposta de casamento de um rapaz muito trabalhador e muito bonito, sobrinho de sua vizinha Carolina de Aguiar (Calú). Ele veio trabalhar, com seu carro de bois, para abastecer de cana os engenhos do município de Laranjeiras. En cantado  com a moça, ele logo conseguiu se aproximar da família, se tornar amigo de Oscar, irmão dela, e posteriormente conquistá-la.
Tamanha foi a atração entre os dois que, em menos de dois anos, namoraram, noivaram e, no dia 26/11/1929 na Igreja Matriz de Laranjeiras, casaram festivamente.
O casal foi morar na Fazenda João Vieira, município de Cedro de São João, onde Manoel Gomes de Aguiar (Maneca) já morava quando solteiro. De Laranjeiras, além de um grande enxoval e objetos de casa, Anita levou algumas cabeças de gado que lhe foram doadas por seus pais.
O amor que tinha ao marido era tamanho que Anita, moça da cidade, passou a viver, ao lado dele, a vida simples do campo; passou a fazer os trabalhos rudimentares típicos das donas de casa da zona rural, além de bordar e costurar para ganhar dinheiro e ajudar nas despesas da família.
 Aí no campo também, Anita passou a servir aos mais humildes, sendo requisitada para escrever e ler cartas dos parentes distantes, cortar cabelos e orientar em cuidados com a saúde e a higiene dos adultos e das crianças. Em pouco tempo passou a ter diversos afilhados e compadres.
Alguns anos se passaram, e depois de muito trabalho, Maneca e Anita conseguiram construir sua própria casa na Fazenda Brejinho, município de Malhada dos Bois, propriedade que foi doada pelos pais de Maneca.
Anita e Maneca tiveram 11 filhos que educaram com muito amor, carinho e até com muito rigor, sempre seguindo os princípios cristãos e as normas da boa convivência.Muito preocupada com o desenvolvimento intelectual dos filhos,  ela começava a alfabetizá-los desde pequeninos  e, sendo assim, quando chegava a época da escola, todos já sabiam ler e escrever.
Anita, esposa e mãe amorosa, sempre presente e dedicada, renunciava sua comodidade, seus interesses e esquecia seu cansaço pelo bem estar de seus familiares e não só destes, mas de todos aqueles que tiveram a felicidade de conviver com ela. Pode-se dizer que era uma pessoa que doava sua própria vida pela a felicidade do outro.
Muito trabalhadora, dentro do lar ela fazia tudo, desde o preparo das refeições, à confecção e higiene das roupas, além os demais serviços de limpeza da casa.
Cumpria suas atividades domésticas com muita habilidade e rapidez e, enquanto o marido trabalhava no campo, ela estava sempre atenta a todo o movimento de gado e de trabalhadores, em volta da sede da fazenda. Além dessa vigilância ao que estava ao alcance do seu olhar, era ela quem fazia o controle das despesas e receitas da propriedade e vivia sempre atenta ao cumprimento dos prazos de pagamento dos débitos contraídos.
Anita detestava ter dívidas e, em assim sendo, sempre que ela e o esposo conseguiam pagar um grande débito, comemoravam com fogos, missa de ação de graças e, muitas vezes, com festa.
Ela era uma pessoa alegre, afável, com uma facilidade de comunicação que a todos encantava. Era de uma sabedoria inigualável. Crianças, jovens, adultos e idosos gostavam de conversar com ela, pois nunca lhe faltavam palavras de carinho, de estímulo, de conforto, ou até mesmo um assunto mais ameno para distraí-los por muitas horas. Era incansável incentivadora do estudo e do trabalho.
Mulher de muita fibra, correta em suas atitudes, sincera, verdadeira, não gostava de mentiras, fofocas, nem de meias-conversas. O tempo dela era muito precioso para usar com coisas fúteis.
Olhar firme e penetrante, parecia adivinhar os pensamentos, assim não se conseguia enganá-la facilmente.
Pessoa educada, delicada, incapaz de menosprezar quem quer que fosse, mas que não agia contra seus princípios para agradar ou conseguir alguma vantagem de alguém. Ela era uma pessoa de sim, sim; não, não!
 Mulher de muita fé, em sua casa era muito comum, em especial à noite, todos se reunirem e se ajoelharem para rezar. Ela fazia tríduos, novenas e outras orações. Desta forma, na família todos são muito devotos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e todos têm muita fé. Esse foi um presente que ela deixou para sua família.
Anita era  carinhosa por natureza, muito dócil, solidária e acolhedora recebia e acolhia a todos com muita alegria. Sua casa era muito freqüentada pelos parentes e amigos que moravam fora e, mais freqüentemente, pelos parentes e amigos da região.
A grande mesa da sala de jantar era famosa pela fartura de deliciosas comidas que ela fazia numa incrível rapidez. Em volta dela sentavam-se, lado a lado, seus familiares, seus trabalhadores e todos que estivessem em casa na hora das refeições. Às vezes chegavam de surpresa trinta, e até cinqüenta pessoas em sua casa e ela com grande rapidez preparava refeição para todos.
Na época de férias sua casa ficava repleta de sobrinhos, primos e netos que deixavam a capital para passar as férias na fazenda.
Era muito comum também Anita acolher em sua casa pelo tempo que fosse necessário, parentes e amigos que precisavam de repouso e de uma alimentação mais saudável e forte.
Assim ela se doava com alegria sincera para ver a felicidade e o bem estar dos outros, renunciando a seu próprio conforto e esquecendo seu cansaço.
Anita gostava muito de ler e de escrever. Sua capacidade literária desde cedo se manifestou nas cartas que escrevia, na maneira de ler, de escrever, de falar e de recitar. Assim, quando passou a morar no campo e não tinha acesso a jornais ,nem revistas, guardava os pedaços de jornais e revistas em que se embalavam as barras de sabão ou alguma outra mercadoria, para desamassar e depois ler as velhas notícias e reportagens.  Deste modo ela saciava sua fome de leitura.
Quando já estava idosa, com os filhos todos fora de casa, e o marido continuava com as atividades no campo, ela ficava sozinha, cuidava dos afazeres domésticos e depois se dedicava a ler e a escrever.
Neste período e com o sofrimento pela morte do filho Antônio Hermínio, com apenas 36 anos de idade, ela escreveu mais de cem poesias que fazem parte de seus livros “A DOR DA SOLIDÃO” e “PASSAGENS DA VIDA”. Escreveu também vários contos e histórias do seu tempo que se distribuem em outros livros ainda inéditos.
Com a saúde cada dia mais debilitada, Anita e seu esposo compraram casa em Aracaju e, no município de Laranjeiras, terra de Anita, adquiriram a “Fazenda Mata”, distante 20 quilômetros de Aracaju, onde passaram a morar perto dos filhos e da capital.
Poucos anos se passaram e Anita, que já era cardíaca há mais de 20 anos, veio a falecer antes de completar 73 anos de idade, em 01.06.1980.
Anita deixou para seus descendentes, parentes e amigos
, além de sua produção literária, um legado de força, coragem, determinação, honestidade, amor, carinho e muita fé.
Sua imensa gratidão a Deus, por sua vida e sua sorte, expressou nesta estrofe de uma das suas poesias:
"Termino pedindo a Deus
Que conservai a minha sorte
De ser querida por todos
Até na hora da morte."
(Anita Nascimento)                                  

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MARIA HERMÍNIA DE AGUIAR OLIVEIRA


     80 ANOS DE NASCIMENTO

        
Maria Hermínia de Aguiar Oliveira, filha de Manoel Gomes de Aguiar e Maria Anita do Nascimento Aguiar,
nasceu em 19 de junho de 1933 na Fazenda João Vieira no município de Cedro de São João, e cresceu na Fazenda Brejinho, em Malhada dos Bois, no estado de Sergipe.
Sua mãe lhe ensinava em casa, e quando passou a freqüentar a escola já sabia ler e escrever.
Estudou inicialmente numa escola pública em Malhada dos Bois, com as professoras Maria do Carmo e Valdice, ambas com diploma de Curso Normal. Depois estudou um ano, em regime de internato, no Colégio Nossa Senhora das Graças em Própria.
Por questão de economia, ela e seus irmãos passaram a estudar na Escola Nossa Senhora do Carmo, na Fazenda Brejinho, escola criada por seu pai e seus primos Daniel e Romeu Figueiredo, vizinhos de propriedade. Como essa escola era particular, para Maria Hermínia obter o Certificado de conclusão do curso primário submeteu-se a provas em Cedro de São João. Aprovada, começou a estudar o Curso Normal em Própria, no Colégio Nossa Senhora das Graças. Um ano antes de se formar, noivou e suspendeu os estudos, pois seu pai entendia que se ela queria casar não deveria estudar, mas se preparar para o casamento.
Casou-se com Luis Alves de Oliveira, em 1950, com quem viveu por toda a vida.  

Esposa e mãe amorosa, atenta e dedicada, deu a luz a quatorze filhos, todos cidadãos de destaque por suas profissões, pela capacidade técnica, pela ética e honradez. Além desses filhos, muitos outros a consideravam como mãe, pelo acolhimento maternal que sempre tiveram.
Trabalhadora incansável, no dia a dia acompanhava os trabalhos escolares dos filhos e irmãos mais novos que vinham prosseguir os estudos na capital, costurava para todos e preparava com rapidez e habilidade as mais deliciosas refeições. Tudo que ela fazia era extremamente saboroso.
Além do cuidado com a família, acolhia parentes, amigos ou pessoas que vinham do interior esse hospedavam em sua casa até terminarem os tratamentos médicos de que necessitavam
Maria Hermínia,mulher de grandes virtudes sempre muito bondosa e dócil, sem perder, entretanto a sua altivez e dignidade. Personalidade marcante e sensibilidade aguçada capaz de perceber os mais ocultos sentimentos, os mais profundos desejos. Altruísta, não media esforços para minorar sofrimentos e possibilitar a realização de sonhos.
Defensora dos mais fracos, mediava, conciliava e procurava restabelecer a paz. Consoladora, nos momentos mais difíceis, nas situações mais complicadas e dolorosas ela e seu esposo Luis Alves sempre foram o ombro amigo a oferecer o apoio necessário.
Esquecer suas dores e seu cansaço para cuidar, para servir ou simplesmente tornar o outro mais feliz, esse era seu modo de viver.
Maria Hermínia foi uma Terapeuta, tanto na linha dos antigos Terapeutas de Alexandria como na conceituação do filósofo Platão.
Foi também uma Engenheira nata, projetava, desenhava e comandava a execução de obras e de reformas em sua casa e na de quem solicitasse seu apoio.
Cerimonialista, planejava, organizava, orientava e comandava a execução das festas da grande família, a começar pela ornamentação dos ambientes, pelo preparo dos bolos, com muitas camadas ou andares, todos primorosamente confeitados, e pela confecção de caixetas que aninhavam os mais finos doces feitos por ela.
Estilista, criava, desenhava e costurava todas as vestes nas festas da família: primeira comunhão, quinze anos, bodas de prata, formaturas e inclusive os vestidos de noivas nos casamentos.
Exímia Pintora deixou um importante acervo de belíssimas telas nos mais diversos estilos.
Maria Hermínia nunca guardou dinheiro. Ela gostava muito de presentear e não conseguia ser indiferente às necessidades do próximo.
Educadora desde a mais tenra idade, sem, no entanto, assumir cátedra alguma. Sempre defendeu o princípio de que, toda criança é boa, é inteligente e deseja aprender, cabe aos pais e educadores descobrirem e ressaltarem essas qualidades para que a criança sinta que é valorizada. Dizia ela que toda criança necessita ter a certeza de que depois das tarefas escolares terá seu horário para brincar. A criança precisa e deve ser criança.
Tinha um amor muito especial pelas crianças, pelos pobres e desamparados. Penalizada com tantas crianças abandonadas nas ruas, sem estudar nem ter o que comer, desejava montar uma instituição social de apoio ao menor desamparado. Quando lhe sobreveio a doença que mais tarde lhe ceifou a vida, em 08 de junho de 2000, lamentava não ter conseguido construir sua creche.
Foi Maria Hermínia de Aguiar Oliveira uma personificação do amor puro e desinteressado. Alguém que viveu no tempo atual, em nosso meio e que doava sua energia, sua força, sua vida pela alegria e a felicidade dos outros.
É Maria Hermínia um exemplo para todos nós.

Antonia Roza de Aguiar Menezes

Nota - dados fornecidos por sua irmã e contemporânea Maria José de Aguiar Silva

"ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL- MARIA HERMINIA DE AGUIAR OLIVEIRA












A cidade de Malhada dos Bois, através do prefeito Augusto César Aguiar Dinízio, prestou, em 19 de novembro de 2011, merecida homenagem a uma pessoa muito especial, a um ser humano que dignifica a sociedade e enche de orgulho nossa família.
Maria Hermínia de Aguiar Oliveira ( Neném) teve seu nome colocado numa importante escola/creche na sede daquele município.
Bela lembrança e gratidão a algúem que só teve bondade, dedicação e carinho para todos.


Parabéns ao povo de Malhada dos Bois representado pelo prefeitoAugusto  César e pela Câmara Municipal que aprovou o projeto. Parabéns a nossa família que, na figura de Maria Hermínia, tem seu nome mais uma vez gravado numa obra pública.

A festa de inauguração foi muito bonita e bem concorrida. Esteve presente  a Secretária de Eduação representando  o Governador do estado e outras autoridades federais, estaduais e municipais. Compareceram também  10 (dez) filhos ,vários netos, genros, noras, irmãos, sobrinhos e amigos da homenageada ,que se deslocaram da capital e de vários outros municípios  para prestigiar o evento. Presentes também, além  de autoridadesde Malhada dos Bois , muitas outras dos  municípios vizinhos que, ao lado das demais pessoas, lotaram as dependências da Escola e do Clube local,  onde foram realizadas as solenidades.
Terminada a inauguração foi realizado , no centro da cidade ,o belo show das "PATRICINHAS DO FORRÓ" , tendo como principal vocal da banda a odontóloga, a  Marília Aguiar Santana,  sobrinha da homenageada.

A inauguração da escola teve repercussão na imprensa, tendo o  Jornal da Cidade de domingo e segunda, 04 e 05/12/2011, publicado mátéria especial sobre  o evento.

Antonia Roza

sexta-feira, 22 de junho de 2012

SÃO JOÃO NO BREJINHO


Sempre que se aproxima o São João relembro as festas juninas do Brejinho, fazenda de meu pai, situada entre as cidades de Cedro de São João e Malhada dos Bois, no estado de Sergipe. Lá o período junino era esperado com muita ansiedade, principalmente pela festa de São João, quando se reunia toda a família, filhos, netos, alguns parentes, trabalhadores, compadres, afilhados e amigos.
Era uma ocasião especial em que todos vestiam suas roupas novas cuidadosamente feitas com tecido estampado e bem colorido. A casa era enfeitada com palhas de coqueiro e com bandeirolas feitas por nós mesmos, usando papel de revistas, cordão e goma feita com tapioca. 
 Mamãe preparava todos os tipos de guloseimas: pamonhas, canjicas, manauês, bolos de milho, massa puba e de macaxeira, mungunzá, milho cozido, pé de moleque, bolachinha de goma, arroz doce e tantas outras delícias.
Ao anoitecer, papai preparava e trazia nos ombros uma enorme fogueira (maior do que ele), cavava um buraco no terreiro e aí fincava a gigantesca fogueira na posição vertical. Usava querosene, papel, cavacos de lenha e fósforo para acendê-la e, quando o fogo subia, ele ficava a olhar a criançada soltar fogos: chuvinhas, traques e estrelinhas.
 Mais tarde, os adultos soltavam bombas, vulcões, foguetes de vara e balões, alguns comprados prontos e outros, enormes e coloridos, por eles próprios confeccionados. Os balões eram soltos nas noites frias e chuvosas do São João e todos ficavam a olhar a subida e a acompanhar seu trajeto até desaparecerem na noite. Soltar balões na fazenda, com os campos molhados, em tempo de inverno, não se constituía em perigo algum. Era só beleza.
Papai não gostava de dançar, mas, todos os anos, chamava um sanfoneiro, geralmente seu Hercílio, do Poço dos Bois, para tocar com sua sanfona de oito baixos. Mamãe, incentivada por papai, dançava com todos nós, deslizando pela imensa sala do Brejinho com uma leveza invejável. A dança de roda era a que a criançada mais gostava.
Ainda recordo as quadrinhas  que mais se repetiam na dança de roda:
 “Rodeiro novo,
  Quero ver rodar,
  Quero ver rodar morena,
  Quero ver balancear”
 “Sete e sete são quatorze,
  Três vezes sete , vinte e um,
  Tenho sete amores no mundo,
  Só tenho paixão por um”.
Lá pela madrugada, a animação era cada vez maior, a brincadeira de roda já saía da sala e passava a ser no terreiro, em volta da fogueira, se deslocando até a frente do grande curral, onde bezerros esperavam a chegada das vacas para a ordenha e a mamada da madrugada.
Quando a fogueira começava a cair, alguns aproveitavam para assar espigas de milho nas brasas. Fogueira caída, brasas espalhadas, agora a vez do trabalhador braçal, Cícero de Marciano, fazer sua demonstração de fé: desfilava calmamente, com os pés descalços , por sobre as brasas vivas.
Acabada a festa, a meninada ia dormir para acordar cedo, procurar algum foguete, traque ou bomba, eventualmente perdido na noite, para soltar logo cedo.
A festa em homenagem a São João Batista , o precursor de Cristo, e que também O batizou , era um grande encontro familiar.
Uma festa simples mas muito alegre, assim era o nosso SÃO JOÃO NO BREJINHO!
Antonia Roza
23/06/2010

terça-feira, 24 de abril de 2012

DR.ANTONIO HERMÍNIO DE AGUIAR

Nasceu na Fazenda Brejinho município de Cedro de São João, no estado de Sergipe; filho de Manoel Gomes de Aguiar, Maneca, agricultor inicialmente e depois agropecuarista, e de Maria Anita do Nascimento Aguiar, dona de casa, mas pessoa muito culta para o seu tempo, dedicava-se nas horas vagas à leitura e à escrita, sendo autora dos livros a "Dor da Solidão" e "Passagens da Vida", publicados postumamente e de outros ainda inéditos. Maria Anita, procurou transmitir aos filhos o amor pelos estudos e os incentivou, desde pequenos, a estudar para se formarem naquilo em que desejassem.
Antonio Hermínio, quinto filho numa família de dez, sempre foi muito estudioso e dedicado à família. Foi alfabetizado por sua própria mãe, depois estudou o curso primário na cidade de Própria/SE, no Grupo Escolar João Fernandes de Brito, transferindo-se em seguida para Aracaju, onde estudou no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, concluindo seus cursos sempre com brilhantismo.
Ainda criança, procurava ajudar aos pais nas atividades do dia a dia, principalmente no período das férias escolares.
Estudando em Aracaju, morava na casa de sua irmã Maria Hermínia de Aguiar Oliveira e de seu cunhado Luis Alves de Oliveira, que o tinham como um filho muito amado. Como era um jovem muito elegante e bonito, ocupava posição de destaque nos desfiles cívicos e jogos estudantis.
Concluiu o curso científico, correspondente ao atual segundo grau, com 16 anos de idade, fazendo em seguida vestibular para Medicina da Universidade Federal da Bahia e para engenharia na Cidade de Cruz das Almas, na Bahia. Logrou aprovação nos dois vestibulares e optou pela medicina que era realmente o seu sonho.
Na Faculdade de Medicina foi sempre um estudante de destaque. Como desejava ser cirurgião, já nos primeiros anos de faculdade acompanhava os professores nas diversas atividades práticas do curso.
Durante o período em que esteve cursando a faculdade de medicina, em Salvador , dedicou-se também, nos momentos de folga, aos esportes náuticos especialmente ao remo e ao mergulho.
NO CAMPO PROFISSIONAL: Logo após a sua colação de grau, juntamente com colegas médicos, dirigiu-se ao estado Paraná com o sonho de instalar um Hospital Geral numa de suas localidades carentes de assistência médica de boa qualidade. Iniciou seus passos profissionais em Nova Olímpia-PR, sendo o primeiro médico daquela cidade.
O seu sonho, todavia, veio a se concretizar mais tarde, na cidade de Tapira-PR, onde construiu o Hospital Santo Antonio que veio a prestar relevantes serviços aos moradores daquela localidade e de regiões circunvizinhas.
"Na sua atuação profissional destacou-se pelo coração humanitário, mãos extremamente habilidosas e, sobretudo, pela mente destemida ao enfrentar os desafios da cirurgia geral numa comunidade desprovida, àquela época, do suporte técnico necessário para o enfrentamento de procedimentos cirúrgicos mais complexos.
Por estas nobres qualidades, salvou inúmeras vidas e se tornou muito querido e respeitado naquela área do Paraná, elevando o nome da categoria médica de Sergipe além fronteiras".
Lamentavelmente, quando almejava desenvolver o mesmo trabalho em sua terra natal e já estava a procurar o local para instalação de um novo hospital, veio a ser acometido, aos 36 anos de idade, de um câncer de pulmão vindo a falecer precocemente em 30/11/1975, em Aracaju/SE, deixando uma lacuna impreenchível não só no seio da sua família como também na comunidade médica em geral.
Sua exemplar atuação profissional, no entanto, serviu de estímulo e inspiração para o despertar vocacional de vários integrantes de sua família que ora prestam relevantes serviços á comunidade Sergipana. Dentre estes, dois são membros da Academia Sergipana de Medicina: os Drs. Luis Hermínio de Aguiar Oliveira e Manoel Hermínio de Aguiar Oliveira, sobrinhos do Dr. Antonio Hermínio Aguiar.
Cumpre ressaltar ainda como característica marcante do médico Antonio Hermínio a sua constante preocupação em acompanhar a evolução da medicina no Brasil e no Mundo; vivia estudando constantemente e procurando sempre se atualizar.

NO CAMPO PESSOAL
Casou-se em 19 de novembro de 1966, na Cidade de Jussara - PR, com Maria Carraro, professora do primeiro grau, que deixou de lecionar para ajudar na administração do hospital e também para realizar ao lado do marido alguns trabalhos sociais.
Em 1970 ele fundou o Asilo São Francisco, na cidade de Tapira/PR.
Era integrante do Lions Club e engajado nos movimentos sociais de apoio aos mais necessitados.
Era fazendeiro. Comprou um lote de terras e denominou Fazenda Santo Antonio. Ali ele colocava o resultado dos seus esforços, como médico dedicado que sempre foi. A Fazenda Santo Antonio até hoje existe e se localiza em Cidade Gaúcha (18 Km de Tapira).
Segundo relata sua filha Silvana, seu hobby era a marcenaria. "Ele construiu um barracão atrás da nossa casa, que ficava ao lado do Hospital, e lá montou uma verdadeira marcenaria instalando os maquinários necessários para realizar pequenos, mas gratificantes trabalhos. Lembro-me bem de uma gaiola para passarinhos que ele fez com muito esmero. Linda mesmo.
Era também um grande enxadrista. Quando desafiado ele enfrentava sem medo.
Gostava de provar o novo, o desconhecido. Um dia ele disse que iria fazer uma calça e passou a noite toda costurando a tal calça. No dia seguinte foi trabalhar com a própria. Ninguém acreditava. Se alguém conversar com alguém que conheceu meu pai e perguntar do que se lembra dele além do seu trabalho, com certeza a resposta será da sua gargalhada. Era estrondosa e espontânea. Marcante mesmo. Inesquecível até”.

Apesar de residir no Paraná, sempre esteve ligado aos seus familiares, chegando até a vir a Sergipe prestar assistência a seu pai vitimado por um enfarte. Por outro lado, seus familiares acompanhavam, de Sergipe, o seu crescimento profissional e pessoal.
No Paraná teve sempre o carinho dos familiares de sua esposa fazendo com que se sentisse, como sempre declarou, com seus pais e irmãos. Seus pacientes foram os grandes amigos a quem sempre dedicou o melhor dos seus conhecimentos.
Faleceu em 30 de novembro de 1975 em Aracaju e está sepultado no jazigo de sua família na cidade de São Francisco no estado de Sergipe.
Antonio Hermínio de Aguiar, um ídolo na sua família, um exemplo de trabalho, honestidade, força, companheirismo e de muita fé em Deus.

____________________ Notas do autor: Sobre o campo Profissional - informações fornecidas e redigidas por seu sobrinho e também médico Dr. Luis Hermínio de Aguiar Oliveira. Sobre a vida no Paraná - informações prestadas por sua filha advogada Silvana Carraro Aguiar. Sobre infância , juventude, vida estudantil dados colhidos nos livros de sua mãe Maria Anita do Nascimento Aguiar e relatos de suas irmãs Maria José Aguiar silva e Marizete Nascimento Aguiar Dinísio.

____________________ Também sobre Dr. Antonio Hermínio de Aguiar

http://medicosilustresdabahia.blogspot.com/2011/07/043-sergipe-antonio-herminio-aguiar.html?spref=bl">Médicos Ilustres da Bahia e de Sergipe: 043- SERGIPE: ANTÔNIO HERMÍNIO AGUIAR

sábado, 3 de março de 2012

MANOEL GOMES DE AGUIAR E O CANTOR LUIS GONZAGA

O cantor Luizs Gonzaga esteve várias vezes em Propriá e frequentava sempre a fazenda Cabo Verde de propriedade de seu amigo Pedro Chaves. Certa feita, numa grande festa naquela fazenda, o Sr. Pedro Chaves apresentou a Luis Gonzaga seu amigo Manoel Gomes de Aguiar da Fazenda Brejinho.Imediatamente o famoso cantor compôs de improviso a música "MALHADA DOS BOIS".
http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/consulta/detalhe.php?Id_Musica=MU009547
(Fato narrado por Maria Helena Chaves,filha de Pedro Chaves, no programa "Descobrindo Sergipe" da TV ALESE)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

MARIA HERMÍNIA DE AGUIAR OLIVEIRA


Maria Hermínia de Aguiar Oliveira, filha de Manoel Gomes de Aguiar e Maria Anita do Nascimento Aguiar, nasceu em 19 de junho de 1933 na Fazenda João Vieira no município de Cedro de São João, e cresceu na Fazenda Brejinho em Malhada dos Bois no estado de Sergipe.
Sua mãe lhe ensinava em casa, e quando passou a freqüentar a escola já sabia ler e escrever.
Estudou inicialmente numa escola pública em Malhada dos Bois, com as professoras Maria do Carmo e Valdice, ambas com diploma de Curso Normal. Depois estudou um ano, em regime de internato, no Colégio Nossa Senhora das Graças em Própria.
Por questão de economia, ela e seus irmãos passaram a estudar na Escola Nossa Senhora do Carmo, na Fazenda Brejinho, escola criada por seu pai e seus primos Daniel e Romeu Figueiredo, vizinhos de propriedade. Como essa escola era particular, para Maria Hermínia obter o Certificado de conclusão do curso primário submeteu-se a provas em Cedro de São João. Aprovada, começou a estudar o Curso Normal em Própria, no Colégio Nossa Senhora das Graças. Um ano antes de se formar, noivou e suspendeu os estudos, pois seu pai entendia que se ela queria casar não deveria estudar, mas se preparar para o casamento.
Casou-se com Luis Alves de Oliveira, em 1950, com quem viveu por toda a vida.
Esposa e mãe amorosa, atenta e dedicada, deu a luz a quatorze filhos, todos cidadãos de destaque por suas profissões, pela capacidade técnica, pela ética e honradez. Além desses filhos, muitos outros a consideravam como mãe, pelo acolhimento maternal que sempre tiveram.
Trabalhadora incansável, no dia a dia acompanhava os trabalhos escolares dos filhos e irmãos mais novos que vinham prosseguir os estudos na capital, costurava para todos e preparava com rapidez e habilidade as mais deliciosas refeições. Tudo que ela fazia era extremamente saboroso.
Além do cuidado com a família, acolhia parentes, amigos ou pessoas que vinham do interior esse hospedavam em sua casa até terminarem os tratamentos médicos de que necessitavam
Maria Hermínia,mulher de grandes virtudes sempre muito bondosa e dócil, sem perder, entretanto a sua altivez e dignidade<.Personalidade marcante e sensibilidade aguçada capaz de perceber os mais ocultos sentimentos, os mais profundos desejos. Altruísta, não media esforços para minorar sofrimentos e possibilitar a realização de sonhos.
Defensora dos mais fracos, mediava, conciliava e procurava restabelecer a paz. Consoladora, nos momentos mais difíceis, nas situações mais complicadas e dolorosas ela e seu esposo Luis Alves sempre foram o ombro amigo a oferecer o apoio necessário.
Esquecer suas dores e seu cansaço para cuidar, para servir ou simplesmente tornar o outro mais feliz, esse era seu modo de viver.
Maria Hermínia foi uma Terapeuta, tanto na linha dos antigos Terapeutas de Alexandria como na conceituação do filósofo Platão.
Foi também uma Engenheira nata, projetava, desenhava e comandava a execução de obras e de reformas em sua casa e na de quem solicitasse seu apoio.
Cerimonialista, planejava, organizava, orientava e comandava a execução das festas da grande família, a começar pela ornamentação dos ambientes, pelo preparo dos bolos, com muitas camadas ou andares, todos primorosamente confeitados, e pela confecção de caixetas que aninhavam os mais finos doces feitos por ela.
Estilista, criava, desenhava e costurava todas as vestes nas festas da família: primeira comunhão, quinze anos, bodas de prata, formaturas e inclusive os vestidos de noivas nos casamentos.
Exímia Pintora deixou um importante acervo de belíssimas telas nos mais diversos estilos.
Maria Hermínia nunca guardou dinheiro. Ela gostava muito de presentear e não conseguia ser indiferente às necessidades do próximo.
Educadora desde a mais tenra idade, sem, no entanto, assumir cátedra alguma. Sempre defendeu o princípio de que, toda criança é boa, é inteligente e deseja aprender, cabe aos pais e educadores descobrirem e ressaltarem essas qualidades para que a criança sinta que é valorizada. Dizia ela que toda criança necessita ter a certeza de que depois das tarefas escolares terá seu horário para brincar. A criança precisa e deve ser criança.
Tinha um amor muito especial pelas crianças, pelos pobres e desamparados. Penalizada com tantas crianças abandonadas nas ruas, sem estudar nem ter o que comer, desejava montar uma instituição social de apoio ao menor desamparado. Quando lhe sobreveio a doença que mais tarde lhe ceifou a vida, em 08 de junho de 2000, lamentava não ter conseguido construir sua creche.
Foi Maria Hermínia de Aguiar Oliveira uma personificação do amor puro e desinteressado. Alguém que viveu no tempo atual, em nosso meio e que doava sua energia, sua força, sua vida pela alegria e a felicidade dos outros.
É Maria Hermínia um exemplo para todos nós.

Antonia Roza de Aguiar Menezes

Nota - dados fornecidos por sua irmã e contemporânea Maria José de Aguiar Silva

terça-feira, 26 de abril de 2011

CASAMENTO DOS AVÓS DE MANOEL GOMES DE AGUIAR, EM 02 DE FEVEREIRO DE 1863 - PESQUISA FEITA POR MANFREDO GOES MARTINS



Leiam este email de Manfredo com as explicações:"Em minhas recentes pesquisas encontrei no Livro de Casamentos da Paróquia de Propriá, o registro de casamento do seu bisavô Major Aguiar - João de Aguiar Botto de Mello.
O Major Aguiar era neto do meu pentavô Bento de Mello Pereira e sobrinho do meu trisavô Dr. José Leite de Mello Pereira. A mãe do Major Aguiar, D. Thereza, era irmã desse meu trisavô, que por sua vez, também era neto de Bento de Mello Pereira. Confusão, não?

Na verdade, o Comandante Superior João de Aguiar Botto de Mello, pai do Major Aguiar, casou-se com uma sobrinha. Naquela época a endogamia era um procedimento comum nas famílias, principalmente para que os meios de produção(os imóveis rurais), não passassem para estranhos.

Olha prima, como sei que voce é como eu, que gosta destas coisas de nossos avoengos, lembrei-me de presenteá-la com este achado, que bem poderia ser publicado em seu Blog.

Como se vê, ele casou-se aos 02 de Fevereiro de 1863 na Capela de São João do Cedro com D. Rosa Cecilia de Novaes Gomes, filha legitima de Manoel Gomes de São Matheus e D. Maria Almerinda de Novaes Gomes, tendo ele 18(dezoito) anos e ela 17 (dezessete). Foi celebrante o Padre Miguel de Albuquerque Silva Ramalho e tendo por testemunhas o Ajudante João Machado de Novaes e João Machado Gomes.

Nota: O primeiro arquivo é capa do segundo, pois é lá que se encontra a data em que foi realizado o casamento. Se for Imprimir, faça-o em uma única folha (frente e verso).

Manfredo Goes Martins"